O sonho de me tornar radialista, veio lá da infância. Mas foi no início dos anos 80, mais precisamente em 1980, que ainda jovem, pronto a completar 22 anos de idade, que resolvi arregaçar as mangas, ir à luta para buscar o meu espaço no rádio. Eu queria fazer rádio aqui em Juiz de Fora, afinal de contas foi aqui que nascí e que nasceram minhas irmãs... Aqui eu tinha os meus amigos, parentes, enfim, aqui era o meu lugar. Nesta época, eu trabalhava como faturista da Disbrasa – Distribuidora Brasileira de Produtos Farmacêuticos. A empresa funcionava ali na Avenida Brasil, ao lado da boate Sayonara. Era uma verdadeira prisão. O trabalho começava às sete da manhã. Mas às seis e quarenta e cinco, todos já deviam estar dentro do vestiário, trocando as roupas de casa pelos uniformes que eram obrigatórios. Uma verdadeira falta de confiança dos donos da firma por todos nós ou precaução pura. É que trabalhávamos com caixinhas de remédios e o medo de que roubássemos aquelas caixinhas era muito grande. Aí, era obrigatório o uso de calças e camisas sem bolsos. Com isso, era improvável que alguém furtasse algum produto ali dentro. Aquilo já me incomodava bastante, afinal sempre busquei pautar minha vida pela honestidade, pela dignidade. Era humilhante passar por aquilo. Eu trabalhava todos os dias, sabendo que nossos chefes ficavam de olhos em nossos passos, como se fossemos ladrões baratos e não trabalhadores. Portanto, às sete em ponto, eu já estava sentado na sala do faturamento, com minha BA 2001, uma máquina de faturar, um tipo de computador às antigas. Não tínhamos ainda os PCS no mercado. Mas aquela geringonça era capaz de multiplicar as unidades pelos preços dos produtos e tirar também o tal de ICMS. E aí eram os vendedores chegando um a um, e eram muitos vendedores, todos com pedidos de uma ou duas páginas no máximo e uma barulheira danada das máquinas só faturando, só faturando... Jovem ainda, pensei em fazer jornalismo para então ingressar de vez no mundo da comunicação. Depois de ter feito ginásio e científico, comecei a pensar no vestibular para comunicação na UFJF. Quando soube que eu estava me preparando para o vestibular, meu gerente Chiquinho me chamou a um canto e me deu aquela prensa: ‘’Aqui não dá pra estudar. Você sabe que todos os dias praticamente precisamos de vocês para as tais horas extras... Vocês estão ganhando muito bem... Você escolhe: trabalha ou estuda!.’’ –Aquilo foi o fim pra mim. Fiquei desesperado. Eu precisava trabalhar. Não tinha nascido em berço de ouro. Trabalhava desde os nove anos de idade. E agora, o que fazer da vida? Se parasse de trabalhar para estudar, não iria conseguir nada. Tinha que ajudar em casa também. Aí engoli aquele ‘’desaforo’’ e toquei o bonde. Continuei trabalhando.
A Disbrasa era uma prisão. Sete horas na máquina. Nove da manhã uma turma subia para o lanche. Sempre um pão com manteiga e um café ou então um café com leite. Quinzes minutos de lanche e o retorno à seção. Ao meio-dia o almoço lá mesmo na firma. Subíamos para o restaurante. Uma hora para o almoço. Tinha lá uma televisão onde assistíamos o Globo Esporte e podíamos também jogar damas. Uma da tarde, a volta à seção. Três horas nova subida para o restaurante. Era o lanche das três. Seis da tarde fim de expediente. Mas como naquela época, a inflação era uma coisa de louco, tínhamos serões sempre de seis às dez da noite, etiquetando as caixinhas de remédio. Portanto, às seis da tarde, eu e meus colegas de faturamento, deixávamos nosso departamento e íamos lá pro estoque, nos juntar aos demais funcionários para a tal etiquetação. Quem não fizesse hora extra, não fazia mais nada. Tínhamos que dar muita produção para a empresa... Com isso, não dava mesmo para estudar ou para ter uma vida lá fora. Nossa vida era ali dentro da firma, sempre de sete da manhã às dez da noite. Regime de escravidão mesmo!!! Agüentei aquilo tudo de 1978 a 1982.
Aqueles foram os quatro anos mais terríveis da minha vida. Eu via aquele trabalho como uma obrigação, a pior de todas que um ser humano poderia ter. Trabalhava porque precisava e numa coisa que não gostava. Existe coisa pior que isto? Mas ali, preso naquela empresa de segunda a sábado, eu via o tempo passar lá fora e meu sonho de me tornar radialista, descendo pela enxurrada. Mas enquanto trabalhava, sonhava com a profissão. Me imaginava numa emissora de rádio, sentado numa mesa cercado de microfones e fazendo o trabalho que todo radialista faz. Nas horas vagas, ouvia rádio, ouvia todas as rádios que podia. Gostava da PRB-3, hoje Solar. Tinha os meus ídolos no rádio local: Wilson Cid, Helena Bittencourt, Adair Mendes, Efigênio Gomes, José de Barros, Carlos Netto e tantos outros. Aos quinze, dezesseis anos, ficava em casa, grudado no rádio, ouvindo também as emissoras do Rio de Janeiro, como Globo, Tupi, Mundial e até aquela Rádio Relógio, com seu tic-tac sem fim, mas que era um tipo de rádio que me encantava. Gostava de tudo o que o rádio transmitia. E enquanto ouvia rádio, me imaginava um dia dentro dele, trabalhando, falando, me comunicando com as pessoas, entrevistando artistas, políticos, o povo, enfim, fazendo da minha vida o próprio rádio. E graças ao bom Deus, que tudo aconteceu da forma que eu imaginara. Mas a luta foi grande. Não foi fácil chegar até este veículo fascinante. Precisei ouvir muitos ‘’nãos’’ e perseverar o suficiente para não morrer de tédio ou tirar dos meus sonhos a profissão mais encantadora do mundo. Sempre procurei entender aqueles ‘’nãos’’ como algo que me impulsionasse a continuar, a não desistir jamais.
Lembro-me que uma certa vez, procurei uma emissora da cidade e seu proprietário só faltou me engolir. Creio que era a terceira vez que o procurava para pedir um espaço, para começar a trabalhar. Acho que naquele dia, o tal senhor não estava muito bom de humor e acabou me agredindo verbalmente, soltando até palavrões que só me magoaram mas que não me fizeram desistir do meu sonho de me tornar radialista. Foi horrível. Aos berros ele foi logo dizendo: ‘’Não te agüento mais! Faça-me um favor! Ou melhor, faça um favor pra você mesmo! Procure fazer outra coisa na vida! Rádio não dá camisa pra ninguém! E além do mais, você tem voz de cana rachada! Passar bem!!! – Ainda mais nervoso, o homem bateu a porta de sua sala em minha cara e eu fiquei ali calado, com vergonha da recepcionista que me olhava com pena, ou coisa parecida. Mas antes de sair, olhando nos olhos daquela moça, disse de todo o meu coração: ‘’Eu vou vencer na vida como radialista! Eu vou realizar o meu sonho, pode acreditar...’’ –Saí dali com mais vontade ainda de prosseguir nos meus ideais de me tornar um radialista. Aquelas palavras pesadas do tal senhor, só me animaram a persistir no meu sonho... Acreditem ou não, anos mais tarde eu viria a ser colega daquele radialista em uma emissora onde eu realizava com muito sucesso os meus programas. Dizer o nome dele? Não, eu não faria isso, afinal, ele foi uma mola propulsora para que eu seguisse adiante e não desistisse do meu ideal maior, que era o de me tornar um homem de Comunicação, coisa que na verdade aconteceu...
E ESTA HISTÓRIA CONTINUA NUMA PRÓXIMA POSTAGEM... ATÉ LÁ...
A Disbrasa era uma prisão. Sete horas na máquina. Nove da manhã uma turma subia para o lanche. Sempre um pão com manteiga e um café ou então um café com leite. Quinzes minutos de lanche e o retorno à seção. Ao meio-dia o almoço lá mesmo na firma. Subíamos para o restaurante. Uma hora para o almoço. Tinha lá uma televisão onde assistíamos o Globo Esporte e podíamos também jogar damas. Uma da tarde, a volta à seção. Três horas nova subida para o restaurante. Era o lanche das três. Seis da tarde fim de expediente. Mas como naquela época, a inflação era uma coisa de louco, tínhamos serões sempre de seis às dez da noite, etiquetando as caixinhas de remédio. Portanto, às seis da tarde, eu e meus colegas de faturamento, deixávamos nosso departamento e íamos lá pro estoque, nos juntar aos demais funcionários para a tal etiquetação. Quem não fizesse hora extra, não fazia mais nada. Tínhamos que dar muita produção para a empresa... Com isso, não dava mesmo para estudar ou para ter uma vida lá fora. Nossa vida era ali dentro da firma, sempre de sete da manhã às dez da noite. Regime de escravidão mesmo!!! Agüentei aquilo tudo de 1978 a 1982.
Aqueles foram os quatro anos mais terríveis da minha vida. Eu via aquele trabalho como uma obrigação, a pior de todas que um ser humano poderia ter. Trabalhava porque precisava e numa coisa que não gostava. Existe coisa pior que isto? Mas ali, preso naquela empresa de segunda a sábado, eu via o tempo passar lá fora e meu sonho de me tornar radialista, descendo pela enxurrada. Mas enquanto trabalhava, sonhava com a profissão. Me imaginava numa emissora de rádio, sentado numa mesa cercado de microfones e fazendo o trabalho que todo radialista faz. Nas horas vagas, ouvia rádio, ouvia todas as rádios que podia. Gostava da PRB-3, hoje Solar. Tinha os meus ídolos no rádio local: Wilson Cid, Helena Bittencourt, Adair Mendes, Efigênio Gomes, José de Barros, Carlos Netto e tantos outros. Aos quinze, dezesseis anos, ficava em casa, grudado no rádio, ouvindo também as emissoras do Rio de Janeiro, como Globo, Tupi, Mundial e até aquela Rádio Relógio, com seu tic-tac sem fim, mas que era um tipo de rádio que me encantava. Gostava de tudo o que o rádio transmitia. E enquanto ouvia rádio, me imaginava um dia dentro dele, trabalhando, falando, me comunicando com as pessoas, entrevistando artistas, políticos, o povo, enfim, fazendo da minha vida o próprio rádio. E graças ao bom Deus, que tudo aconteceu da forma que eu imaginara. Mas a luta foi grande. Não foi fácil chegar até este veículo fascinante. Precisei ouvir muitos ‘’nãos’’ e perseverar o suficiente para não morrer de tédio ou tirar dos meus sonhos a profissão mais encantadora do mundo. Sempre procurei entender aqueles ‘’nãos’’ como algo que me impulsionasse a continuar, a não desistir jamais.
Lembro-me que uma certa vez, procurei uma emissora da cidade e seu proprietário só faltou me engolir. Creio que era a terceira vez que o procurava para pedir um espaço, para começar a trabalhar. Acho que naquele dia, o tal senhor não estava muito bom de humor e acabou me agredindo verbalmente, soltando até palavrões que só me magoaram mas que não me fizeram desistir do meu sonho de me tornar radialista. Foi horrível. Aos berros ele foi logo dizendo: ‘’Não te agüento mais! Faça-me um favor! Ou melhor, faça um favor pra você mesmo! Procure fazer outra coisa na vida! Rádio não dá camisa pra ninguém! E além do mais, você tem voz de cana rachada! Passar bem!!! – Ainda mais nervoso, o homem bateu a porta de sua sala em minha cara e eu fiquei ali calado, com vergonha da recepcionista que me olhava com pena, ou coisa parecida. Mas antes de sair, olhando nos olhos daquela moça, disse de todo o meu coração: ‘’Eu vou vencer na vida como radialista! Eu vou realizar o meu sonho, pode acreditar...’’ –Saí dali com mais vontade ainda de prosseguir nos meus ideais de me tornar um radialista. Aquelas palavras pesadas do tal senhor, só me animaram a persistir no meu sonho... Acreditem ou não, anos mais tarde eu viria a ser colega daquele radialista em uma emissora onde eu realizava com muito sucesso os meus programas. Dizer o nome dele? Não, eu não faria isso, afinal, ele foi uma mola propulsora para que eu seguisse adiante e não desistisse do meu ideal maior, que era o de me tornar um homem de Comunicação, coisa que na verdade aconteceu...
E ESTA HISTÓRIA CONTINUA NUMA PRÓXIMA POSTAGEM... ATÉ LÁ...