Morreu às 14h41 nesta terça-feira (29), aos 79 anos, o ex-vice-presidente da República José Alencar, que lutava contra um câncer desde 1997. Segundo boletim médico, divulgado às 15h, o ex-vice faleceu em decorrência da doença e "de falência de múltiplos órgãos". O corpo do ex-vice-presidente será velado a partir das 10h30 desta quarta-feira (30) no Palácio do Planalto, em Brasília.Inicialmente, o velório estará restrito a autoridades, mas, posteriormente, será aberto ao público. O corpo de Alencar também será velado em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, na quinta-feira (31) pela manhã. O enterro também será em Belo Horizonte. Alencar havia sido internado em “condições críticas” na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, na última segunda-feira (28), com um quadro de suboclusão intestinal, ou seja, parte do intestino estava entupido em decorrência do câncer na região. Os médicos, no dia seguinte à internação, afirmaram que Alencar não passava mais por tratamento e estava sendo sedado para não sofrer. Com voz embargada, o médico Raul Cutait disse que Alencar estava "em um momento muito difícil de sua vida". As idas e vindas do ex-vice ao Sírio eram constantes. Alencar teve alta hospitalar no último dia 15 de março, quando voltou para sua casa, em São Paulo. O ex-vice havia sido internado no dia 9 de fevereiro com peritonite, inflamação na membrana que reveste a cavidade abdominal. O problema foi causado por uma perfuração no intestino. Em dezembro do ano passado, o ex-vice-presidente deu entrada no Sírio-Libanês com uma grave hemorragia no intestino. O sangramento, causado por um tumor na região abdominal, foi posteriormente controlado pelos médicos por meio de um procedimento chamado embolização. O tratamento contra o câncer, doença que ele combatia há mais de uma década, foi retomado em janeiro, após ter sido suspenso devido a seu estado de saúde, considerado delicado. O ex-vice-presidente passou por diversas cirurgias e sessões de quimioterapia para combater tumores no rim, próstata e abdome, além de se submeter, sem sucesso, a um tratamento experimental fora do país. Devido à doença, Alencar optou por não concorrer a uma vaga no Senado na eleição de 2010. Ao anunciar a desistência, disse que não seria justo com os eleitores tentar uma nova candidatura. - Sempre disse que só aceitaria examinar uma candidatura se eu estivesse curado. Eu me sinto curado porque estou muito bem, mas continuo fazendo quimioterapia e não sei se seria honesto colocar o meu nome como candidato fazendo a quimioterapia. E eu não posso parar com a quimioterapia. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff, muito próximos a Alencar, estão em Portugal nesta terça-feira (29).
Coimbra - O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi acolhido, nesta quarta-feira (30), por uma multidão na Universidade de Coimbra, onde foi distinguido com o título de doutor "honoris causa". Lula foi acompanhado pela presidente Dilma Rousseff e pelo presidente de Portugal, Cavaco Silva, que se escusou a fazer qualquer comentário sobre a disponibilidade manifestada terça-feira por Dilma de o Brasil ajudar economicamente Portugal, que atravessa grave crise. Dilma Rousseff antecipou para o início da tarde de hoje o regresso ao Brasil, para participar nas cerimónias fúnebres do ex-vice-presidente José Alencar, falecido ontem em São Paulo, aos 79 anos, vítima de câncer. Dilma, que cancelou os encontros que tinha previstos à tarde com o presidente da República, Cavaco Silva e com o primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, disse aos jornalistas que foi uma honra ter conhecido José Alencar. Também Lula da Silva, visivelmente emocionado, disse ter conhecido "poucas pessoas com a alma e a bondade" de Alencar. "O Brasil perdeu um homem excepcional", afirmou.