Ensino à Distância ganha espaço no mercado - Tecnologia auxilia estudantes a se qualificarem

Regulamentado pelo Governo Federal em 1996, quando foi incluso na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Ensino à Distância (EAD) é uma modalidade que vem despertando grande interesse nos últimos anos. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), o aumento de inscritos em cursos de ensino à distância nos últimos anos é assustador. Em 2005, o Brasil tinha 114,6 mil pessoas matriculadas no EAD, em 2009 o número aumentou para 814,2 mil, um crescimento superior a 710 por cento.

Segundo o MEC, o perfil de quem procura as graduações à distância é principalmente de pessoas que trabalham em tempo integral, número que chega a 61% e aqueles que concluíram o ensino médio em escolas públicas (67%).

Em Juiz de Fora, o Ensino à Distância segue o mesmo caminho que o estudo do MEC: ganhou força. Na cidade, encontramos diversas instituições de ensino que oferecem essa oportunidade, para que os alunos possam se qualificar. Os cursos oferecidos não são somente na área de graduação. Existem cursos técnicos à distância e cursos preparatórios para concursos públicos também.

As principais vantagens destacadas por quem optou pelo EAD são a economia em deslocamentos e a não obrigatoriedade da presença em sala de aula, como acontece quando o curso é presencial. Outros pontos positivos dessa forma de ensino foram destacados pela mestra em educação Rosilana Aparecida Dias, autora do livro Educação à distância: Da Legislação ao Pedagógico publicado pela editora Vozes. “Um ponto a favor é essa democratização, você ter a possibilidade de o ensino chegar a áreas remotas. Imagine, em regiões mais carentes, a dificuldade que é para se ter uma universidade, ter uma escola? De certa forma, a educação à distância democratiza e vai levar essa educação a lugares que antes talvez fosse mais complicado por diversos motivos”, relata.

Rosilana é também representante da Universidade Aberta Do Brasil (UAB), órgão que regulamenta os cursos à distância pelo país. A mestra esclareceu que a UAB é uma denominação genérica para que as universidades federais e públicas, se organizarem em torno da EAD. A professora explicou: “A UAB está em Juiz de Fora, no rio Grande do Sul, e é, na verdade, um nome criado para que as universidades possam oferecer cursos de educação à distância. Ela faz a ponte entre as universidades e o MEC”.

Hoje, no país, existem duas plataformas muito utilizadas no EAD: a transmissão de dados via satélite, que foi precursora no Brasil, e a internet, que é a mais usada atualmente, através banda larga. Com o avanço da internet banda larga no Brasil, a transferência de dados vai se tornar cada vez maior e a eficiência dos cursos a distancia tende a aumentar.

Qualidade

Outro ponto que deve ser observado na hora de escolher um curso a distancia, é a qualidade. É o que destaca o coordenador do Curso Preparatório para Concursos Plenarius Via Satélite, Valério Ribeiro: “O importante quando se verifica um curso em EAD é a constatação em relação à instituição, a seriedade do curso que ela oferece e a qualidade dos professores que apresentam e fazem as disposições”.

Valério RIbeiroValério enfatizou a grande diferença do ensino a distancia. Para ele, a grande questão do EAD é a possibilidade de atingir um número ilimitado de pessoas. “Quando se pensa em transmissão de informações via tecnologia, os cursos expandem o limite da sala de aula praticamente para o planeta inteiro. Os professores podem mandar o conteúdo acadêmico dentro do curso, para locais inimagináveis, pelo fato de terem a tecnologia a sua disposição”.

No entanto, ainda existem algumas barreiras a serem quebradas. Uma delas é a própria tecnologia. Para Rosilana Dias, o Brasil ainda não tem condições tecnológicas para atender a todos os lugares, a banda larga ainda deixa a desejar, e a tecnologia ainda não e acessível. A mestra em Educação também destacou: “os profissionais que estão trabalhando com EAD estão aprendendo, os professores estão arraigados no presencial, então isso dificulta.” A professora destacou os treinamentos dados a professores e tutores, treinamentos feitos para formação pedagógica, para as pessoas trabalharem melhor com a tecnologia utilizada nessa forma de ensino. Mas apontou a falta de conhecimento como um entrave. Segundo a professora, “às vezes a educação à distância poderia fazer melhor, ser melhor, oferecer melhores condições de estudo para o aluno. Às vezes não é eficiente porque a formação do professor não permite essa eficiência”.

Mesmo apontando essas dificuldades, Rosilana aposta em um ensino bem parecido com os moldes do EAD no Brasil: “Eu penso que a educação do futuro vai ser semipresencial, ela vai ser híbrida. Vai juntar momentos presenciais, porque a gente precisa desses momentos”.

Sem arrependimentos

A faturista Sônia Maria Muniz, tem um filho e depois de algum tempo longe dos estudos, resolveu enfrentar uma faculdade. Ela contou porque escolheu o curso de administração a distancia: “Escolhi o curso a distância porque não tive a oportunidade de cursar uma faculdade quando jovem, por questão de disponibilidade de tempo e também por questões financeiras. O EAD é mais accessível”.

Outro que optou por um curso a distancia foi o aluno de Engenharia Ambiental da UFV Lucas Sampaio. Ele passou recentemente no curso técnico de segurança do trabalho para o Instituto Federal de Educação Tecnológica (IFET). Sampaio contou que decidiu fazer o curso pois ocupa seu tempo livre e com isso consegue uma nova formação.

Lucas e Sônia, não sentem dificuldades em relação aos estudos. No entanto a secretaria destacou que para fazer qualquer curso a distancia, ser disciplinado ‘e uma característica fundamental. De acordo com os dois entrevistados, ambos sentem a falta do contato humano, comum quando as aulas são presenciais.

Sônia Muniz ainda falou da diferença entre as formas de estudo presencial e a distancia: “Com relação aos cursos não vejo diferença alguma. Isto depende muito do aluno.” A faturista recomendou o EAD a qualquer pessoa interessada em fazer um curso. “Está sendo ótimo para mim”, concluiu.