
PERGUNGA - Léo de Oliveira, são quantos anos de Comunicação?
LÉO DE OLIVEIRA - Comecei no Diário Mercantil em 1982 como revisor, paginador e escrevia para o Suplemento Literário, cujo editor era o Zé Renato... De lá pra cá, são 28 anos de jornal, rádio e televisão...
PERGUNTA - Muita diferença na arte de comunicar, daquele 1982 para os dias de hoje?
LÉO DE OLIVEIRA - Mudou a estrutura. Antes, revisávamos um jornal na mão. A paginação era feita a mão. Tudo muito artesanal. Pra paginar um jornal, você tinha que lançar mão do ''espelho'', o past-up, cola, nanquim... Era uma obra de arte... Hoje, você faz tudo isso sem sujar as mãos, tudo no computador... No rádio, trabalhávamos com casseteiras, cartucheiras, vinís... Hoje, tudo está no computador... Ficou melhor, mas eu gostava quando tudo era mais difícil, mais artesanal... Hoje, se abusarmos, o computador acaba subistituindo o profissional de comunicação e aí vamos ter que criar novos caminhos pra nossa sobrevivência... Mas acho legal o que está acontecendo... O mundo gira e se a gente não girar com ele, acaba ficando no meio do caminho...
PERGUNTA - Qual a cobertura jornalística que você fez e que marcou na sua carreira?
LÉO DE OLIVEIRA - Considero tudo o que fiz até hoje, grandes momentos... Uma pequena matéria, uma grande matéria, tudo cabe no meu contexto profissional... Mas eu diria que entrevistei grandes personalidades do País e cobrí grandes momentos... Entrevistei Magalhães Pinto, José Sarney (quando da inauguração da terceira fase da Açominas em Ouro Branco - MG), Lula, Zico, Dadá Maravilha, Esperidião Amin, cobrí a inauguração do Carrefour em JF e da Montadora da Mercedez... Itamar Franco, foram muitas entrevistas... São muitas reportagens e agora, impossível lembrar de maioria delas... Nunca fiz um diário de trabalho... Perdí muita coisa ao longo da carreira... A coisa de três anos, eu tinha um arquivo com aproximadamente 5 mil fotos de minha carreira... Não sei como, mas tudo isso foi perdido... Mas na mente, tenho toda a minha história... Mas acho que não é legal a gente ficar falando muito de passado... Eu aprendí com meu mestre Josino Aragão, que a nossa vida não pode ter retrovisor... Se ficamos olhando demais para o passado, acabamos vivendo um presente desastroso... Prefiro me lembrar sempre de que sou comunicador e tudo o que fiz ou faço está inserido no meu estilo de vida e no meu dever de formar e informar a opinião pública.
PERGUNTA - Rádio, Jornal, Televisão. Quais dos três veículos desperta em você mais paixão?
LÉO DE OLIVEIRA - Sou apaixonado por tudo que é veículo de comunicação. Mas eu amo mesmo é o Rádio. Sempre quis fazer rádio. Sempre amei o rádio. Crescí ouvindo rádio e sonhando um dia me tornar radialista. Jornal é legal, você escreve a história de uma cidade, de um país e do mundo... Televisão... Bem, televisão é legal de se ver, mas fazer é meio complicado... Acho que fazer é ''frio''. Você não interage com o telespectador e nem ele com você... Hoje, claro, a televisão interage mais que antes... Mas o rádio não, esse é quente, muito quente... Você pode falar com o ouvinte e tudo o que você diz, repercute muito... A resposta do rádio é imediata... Nada fica pra depois... Amo o rádio e ter feito jornal e televisão, me ajudou muito na construção do meu trabalho radiofônico...
PERGUNTA - Em quais jornais você já trabalhou?
LÉO DE OLIVEIRA - Diário Mercantil, Diário da Tarde, Jornal das Estâncias e Tribuna Caxambuense (Caxambú-MG), Tribuna de Minas (JF), Folha de Minas, Tribuna do Estado e Tribuna do Interior (Conselheiro Lafaiete), Correio da Mata e fui correspondente de alguns jornais da Capital, escrevendo matérias das cidades onde trabalhei...
PERGUNTA - E quais foram as rádios em que você já trabalhou?
LÉO DE OLIVEIRA - Comecei na Carijós Am, Carijós Fm e Clube Am de Conselheiro Lafaiete e na minha volta para Juiz de Fora, em 1990, atuei primeiro na Solar Am e Solar Fm e depois passei por Manchester Fm, Capital Am, Nova Cidade Am, Manchester Am, Juiz de Fora Am, Juiz de Fora Fm e Globo JF. Em 1994 estive em Vitória no Espírito Santo, trabalhando na América Fm... Hoje na Globo JF, tô feliz da vida!
PERGUNTA - Acredito que todo radialista sonha um dia chegar à Globo, considerada a maior marca de rádio do mundo... Era também um sonho do radialista Léo de Oliveira chegar à Globo?
LÉO DE OLIVEIRA - Com certeza. Em 1990 eu ouvia muito o Antônio Carlos na Globo e ficava impressionado com o talento desse comunicador... Um dia fechei os olhos e pensei que Deus poderia me dar um dia a chance de atuar num microfone da rádio Globo... A Globo veio para Juiz de Fora e meu sonho se realizou... E sem contar que hoje trabalho com o cara que um dia passei a admirar tanto no Rádio brasileiro, que é o Antônio Carlos... Estou profissionalmente realizado...
PERGUNTA - E na televisão, como foi o seu trabalho, que tipo de programa você fez, conta um pouco dessa sua passagem pela televisão...
LÉO DE OLIVEIRA - Bem... No ano de 1996, apresentei o Telejornal Tiradentes, na TV Tiradentes de Juiz de Fora... Nunca tinha feito aquilo... Tinha sido um convite do professor Josino Aragão, e não pude recusar... Se gostei? De maneira alguma... Mas também não fiz por fazer... Me dediquei bastante para sempre dar credibilidade às informações que passava... Mas eu fazia televisão pensando no rádio... Aí tive que parar de fazer televisão para me dedicar exclusivamente ao Rádio, o veículo do meu coração e da minha alma...
PERGUNTA - Mas em 2004 você deixou o rádio para fazer o Programa Léo de Oliveira na TVE JF. Estava decepcionado com o rádio?
LÉO DE OLIVEIRA - Eu nunca me decepcionei com o rádio e nunca vou me decepcionar com Ele. É que em 2004, fui mais uma vez convidado pelo professor Josino a realizar um programa de entrevistas no Canal 12 de Juiz de Fora. Deixei o rádio para me dedicar ao programa... Mas foi com o coração partido que fiz aquela troca... Mas valeu à pena ter feito por quase 4 anos o meu programa na televisão... Adoro entrevistar, estar em lugares diferentes todos os dias e isso a televisão me proporcionou... Pude conhecer bem mais de minha cidade e região, fazendo o Programa Léo de Oliveira... Só acho que se voltasse no tempo, não teria permitido que o programa levasse o meu nome... Era uma coisa muito pessoal... De repente, era como se eu escolhesse os meus entrevistados, as minhas matérias... Eu sempre fui pautado... Mas foi bom enquanto durou e depois da Televisão, fui resgatado novamente para o rádio, através de minha diretora-presidente Jane Aragão... Hoje, fazendo as manhãs da Globo JF, digo com certeza que vivo minha melhor fase na comunicação...
PERGUNTA - Todos nós sabemos que seu programa dava prioridade às atividades administrativas do ex-prefeito Alberto Bejani, que saiu da política de uma forma lamentável... Escândalos, prisão, corrupção... E você deu voz àquela administração... As pessoas te hostilizaram após tudo o que aconteceu em Juiz de Fora, envolvendo o ex-prefeito?
LÉO DE OLIVEIRA - Eu era sim pautado para cobrir as atividades do Bejani. Durante os quase quatro anos em que estive na TV, cobrí suas atividades... Mas toda a imprensa de Juiz de Fora fez o mesmo... No meu caso, eu fazia isso dentro de um programa que levava o meu nome... No dia da prisão de Bejani, acompanhei toda a movimentação da polícia e dos populares... Inclusive cobrí sua saída de casa, preso e depois fiquei na sede da polícia federal até que Bejani fosse ouvido e depois levado para Belo Horizonte já no final do dia... Por diversas vezes, cheguei a ouvir o povo gritando lá fora que eu era um sacana. Um sujeito chegou a gritar que eu havia dado voz ao Bejani e que agora estava jogando terra sobre sua sepultura... Um outro político da cidade, que apareceu por lá, disse que eu tinha comido no mesmo prato que o Bejani e que tinha mesmo dado voz a ele com o programa e colaborado para que suas falcatruas fossem encobertas... Lembro-me também que assim que me preparava para deixar a sede da PF, conduzindo meu carro de reportagem, alguns populares chegaram a chutar os pneus e a dizer que agora eu tinha que arrumar outra teta pra mamar... Fiquei imensamente triste naquele dia... Acreditem... Não lucrei um centavo sequer com a administração Bejani... Sou um homem simples... Tenho 51 anos de idade, não tenho casa própria, paguei meu carro, um Gol 1000 modelo 1997 com muitas dificuldades e não tenho sequer dinheiro no banco... Bejani nunca foi meu amigo... Também nunca foi meu inimigo... Nunca me envolveu nos ''crimes'' a ele imputados...
PERGUNTA - Mas sua imagem ficou colada à dele por causa do programa...
LÉO DE OLIVEIRA - Com certeza! Antes do escândalo que envolveu Bejani e mais um batalhão de colaboradores dele, muitos que estavam à sua volta faziam chacotas a respeito das coberturas que eu fazia de sua administração, dizendo que eu era o repórter da TV Bejani. Aqui inclusive me incomodava. Mas aos poucos, as pessoas foram entendendo e vendo que eu não tinha envolvimento em nada e aí a comunidade acabou não me condenando... Pensei que minha carreira teria fim com o fim da ''Era Bejani''... Um dia entrei em um bar no Alto dos Passos e um senhor me reconheceu, se aproximou e foi logo dizendo: ''Você é o cara da Televisão, não é?'' -Sim! Respondí. ''Olha rapaz, sou seu fã desde os tempos do rádio e eu fiquei particularmente preocupado, achando que você tinha envolvimento com Bejani naquelas roubalheiras todas... Talvez um carro em seu nome... Ou mesmo dinheiro do ''cara'' escondido em sua casa... Mas a Polícia Federal identificou todo o mundo que estava envolvido, prendeu uma pá de gente, mas você se manteve íntegro, seu nome não estava lá...'' - Fiquei em silêncio por alguns segundos e depois disse a ele que uma coisa que sempre fiz na vida, na minha carreira, em tudo, foi manter minha dignidade... Isso vou fazer sempre... Se quisesse, estaria muito bem de vida, afinal, o jornalismo, o rádio, quando usado de forma desonesta, pode deixar muito bem um comunicador... Mas para mim, estar bem, é estar limpo e de consciência tranquila a respeito de meus atos... Mas este é um assunto que não gostaria mais de lembrar... Sempre me recusei a tocar nesse caso... Você me instigou... Com certeza que será um ótimo comunicador...
PERGUNTA - Então vamos para outro assunto, que acho de suma importância: A Solar Am desmontou o seu jornalismo e a Rádio Panorama Fm que havia chegado com força total, hoje já não mais existe... Tem um monte de radialistas bons nesta cidade desempregados... O Rádio está acabando? A televisão está fazendo com o rádio o que fez lá nos idos dos anos 50 quando chegou ao País, transformando milhares ou milhões de ouvintes em telespectadores de tevê?
LÉO DE OLIVEIRA - O que aconteceu com a Solar e com a Panorama, pra mim, são fatos isolados... O rádio não vai acabar nunca... Os radialistas nunca deixarão de existir... Tem muito radialista em Juiz de Fora e no País, desempregados, mas muitos estão trabalhando... Prova de que o rádio não está acabando, que o radiojornalismo é forte, é que hoje, a Globo JF é a maior audiência da cidade e região e a Globo Brasil, assim como a CBN (que são rádios que tocam notícia), estão cada vez mais fortes... O Rádio mudou muito, mas não acabou... Ele está vivendo uma fase meio estraaha, mas isso passa... Acho que já está passando...
PERGUNTA - Léo de Oliveira, eu quero te agradecer pela entrevista, deixando aqui para você um grande abraço de meus colegas de faculdade e deixou o espaço para que você se expresse da forma que quiser. Obrigado.
LÉO DE OLIVEIRA - Muito obrigado por terem se lembrado de mim... Sou um sujeito simples e confiante que a Comunicação é quem comando hoje o nosso País e o mundo... Estamos vigilantes... Atentos... Toda essa corrupção instalada hoje no País, vai se desinstalando, graças à imprensa, que age feito cão de guarda... Estamos de olho! Todo o mundo sabe que a imprensa é séria e resolve... Ela denuncia... Ela faz e
acontece... Mas eu não poderia deixar de te dizer, que os futuros comunicadores, homens de rádio, tv ou jornal, devem prezar muito a família , os colegas de trabalho, seus diretores e a comunidade... O respeito é tudo para quem quer entrar para o exército dos comunicadores... Em qualquer área, tudo isso é muito importante... Sem menosprezar nenhuma profissão, todas são essenciais, mas a comunicação ela é muito vasta e você lida com a massa, com milhares, com milhões de pessoas e aquela máxima de que o jornalista, o radialista, forma e informa a opinião pública, é algo muito sério... Nossa profissão chega a todas as profissões e pessoas... Aí a nossa grande responsabilidade... Mas vamos caminhar e crescer dentro do que fazemos, que no final da história, a felicidde sempre vem... Obriado...
LÉO DE OLIVEIRA - Comecei no Diário Mercantil em 1982 como revisor, paginador e escrevia para o Suplemento Literário, cujo editor era o Zé Renato... De lá pra cá, são 28 anos de jornal, rádio e televisão...
PERGUNTA - Muita diferença na arte de comunicar, daquele 1982 para os dias de hoje?
LÉO DE OLIVEIRA - Mudou a estrutura. Antes, revisávamos um jornal na mão. A paginação era feita a mão. Tudo muito artesanal. Pra paginar um jornal, você tinha que lançar mão do ''espelho'', o past-up, cola, nanquim... Era uma obra de arte... Hoje, você faz tudo isso sem sujar as mãos, tudo no computador... No rádio, trabalhávamos com casseteiras, cartucheiras, vinís... Hoje, tudo está no computador... Ficou melhor, mas eu gostava quando tudo era mais difícil, mais artesanal... Hoje, se abusarmos, o computador acaba subistituindo o profissional de comunicação e aí vamos ter que criar novos caminhos pra nossa sobrevivência... Mas acho legal o que está acontecendo... O mundo gira e se a gente não girar com ele, acaba ficando no meio do caminho...
PERGUNTA - Qual a cobertura jornalística que você fez e que marcou na sua carreira?
LÉO DE OLIVEIRA - Considero tudo o que fiz até hoje, grandes momentos... Uma pequena matéria, uma grande matéria, tudo cabe no meu contexto profissional... Mas eu diria que entrevistei grandes personalidades do País e cobrí grandes momentos... Entrevistei Magalhães Pinto, José Sarney (quando da inauguração da terceira fase da Açominas em Ouro Branco - MG), Lula, Zico, Dadá Maravilha, Esperidião Amin, cobrí a inauguração do Carrefour em JF e da Montadora da Mercedez... Itamar Franco, foram muitas entrevistas... São muitas reportagens e agora, impossível lembrar de maioria delas... Nunca fiz um diário de trabalho... Perdí muita coisa ao longo da carreira... A coisa de três anos, eu tinha um arquivo com aproximadamente 5 mil fotos de minha carreira... Não sei como, mas tudo isso foi perdido... Mas na mente, tenho toda a minha história... Mas acho que não é legal a gente ficar falando muito de passado... Eu aprendí com meu mestre Josino Aragão, que a nossa vida não pode ter retrovisor... Se ficamos olhando demais para o passado, acabamos vivendo um presente desastroso... Prefiro me lembrar sempre de que sou comunicador e tudo o que fiz ou faço está inserido no meu estilo de vida e no meu dever de formar e informar a opinião pública.
PERGUNTA - Rádio, Jornal, Televisão. Quais dos três veículos desperta em você mais paixão?
LÉO DE OLIVEIRA - Sou apaixonado por tudo que é veículo de comunicação. Mas eu amo mesmo é o Rádio. Sempre quis fazer rádio. Sempre amei o rádio. Crescí ouvindo rádio e sonhando um dia me tornar radialista. Jornal é legal, você escreve a história de uma cidade, de um país e do mundo... Televisão... Bem, televisão é legal de se ver, mas fazer é meio complicado... Acho que fazer é ''frio''. Você não interage com o telespectador e nem ele com você... Hoje, claro, a televisão interage mais que antes... Mas o rádio não, esse é quente, muito quente... Você pode falar com o ouvinte e tudo o que você diz, repercute muito... A resposta do rádio é imediata... Nada fica pra depois... Amo o rádio e ter feito jornal e televisão, me ajudou muito na construção do meu trabalho radiofônico...
PERGUNTA - Em quais jornais você já trabalhou?
LÉO DE OLIVEIRA - Diário Mercantil, Diário da Tarde, Jornal das Estâncias e Tribuna Caxambuense (Caxambú-MG), Tribuna de Minas (JF), Folha de Minas, Tribuna do Estado e Tribuna do Interior (Conselheiro Lafaiete), Correio da Mata e fui correspondente de alguns jornais da Capital, escrevendo matérias das cidades onde trabalhei...
PERGUNTA - E quais foram as rádios em que você já trabalhou?
LÉO DE OLIVEIRA - Comecei na Carijós Am, Carijós Fm e Clube Am de Conselheiro Lafaiete e na minha volta para Juiz de Fora, em 1990, atuei primeiro na Solar Am e Solar Fm e depois passei por Manchester Fm, Capital Am, Nova Cidade Am, Manchester Am, Juiz de Fora Am, Juiz de Fora Fm e Globo JF. Em 1994 estive em Vitória no Espírito Santo, trabalhando na América Fm... Hoje na Globo JF, tô feliz da vida!
PERGUNTA - Acredito que todo radialista sonha um dia chegar à Globo, considerada a maior marca de rádio do mundo... Era também um sonho do radialista Léo de Oliveira chegar à Globo?
LÉO DE OLIVEIRA - Com certeza. Em 1990 eu ouvia muito o Antônio Carlos na Globo e ficava impressionado com o talento desse comunicador... Um dia fechei os olhos e pensei que Deus poderia me dar um dia a chance de atuar num microfone da rádio Globo... A Globo veio para Juiz de Fora e meu sonho se realizou... E sem contar que hoje trabalho com o cara que um dia passei a admirar tanto no Rádio brasileiro, que é o Antônio Carlos... Estou profissionalmente realizado...
PERGUNTA - E na televisão, como foi o seu trabalho, que tipo de programa você fez, conta um pouco dessa sua passagem pela televisão...
LÉO DE OLIVEIRA - Bem... No ano de 1996, apresentei o Telejornal Tiradentes, na TV Tiradentes de Juiz de Fora... Nunca tinha feito aquilo... Tinha sido um convite do professor Josino Aragão, e não pude recusar... Se gostei? De maneira alguma... Mas também não fiz por fazer... Me dediquei bastante para sempre dar credibilidade às informações que passava... Mas eu fazia televisão pensando no rádio... Aí tive que parar de fazer televisão para me dedicar exclusivamente ao Rádio, o veículo do meu coração e da minha alma...
PERGUNTA - Mas em 2004 você deixou o rádio para fazer o Programa Léo de Oliveira na TVE JF. Estava decepcionado com o rádio?
LÉO DE OLIVEIRA - Eu nunca me decepcionei com o rádio e nunca vou me decepcionar com Ele. É que em 2004, fui mais uma vez convidado pelo professor Josino a realizar um programa de entrevistas no Canal 12 de Juiz de Fora. Deixei o rádio para me dedicar ao programa... Mas foi com o coração partido que fiz aquela troca... Mas valeu à pena ter feito por quase 4 anos o meu programa na televisão... Adoro entrevistar, estar em lugares diferentes todos os dias e isso a televisão me proporcionou... Pude conhecer bem mais de minha cidade e região, fazendo o Programa Léo de Oliveira... Só acho que se voltasse no tempo, não teria permitido que o programa levasse o meu nome... Era uma coisa muito pessoal... De repente, era como se eu escolhesse os meus entrevistados, as minhas matérias... Eu sempre fui pautado... Mas foi bom enquanto durou e depois da Televisão, fui resgatado novamente para o rádio, através de minha diretora-presidente Jane Aragão... Hoje, fazendo as manhãs da Globo JF, digo com certeza que vivo minha melhor fase na comunicação...
PERGUNTA - Todos nós sabemos que seu programa dava prioridade às atividades administrativas do ex-prefeito Alberto Bejani, que saiu da política de uma forma lamentável... Escândalos, prisão, corrupção... E você deu voz àquela administração... As pessoas te hostilizaram após tudo o que aconteceu em Juiz de Fora, envolvendo o ex-prefeito?
LÉO DE OLIVEIRA - Eu era sim pautado para cobrir as atividades do Bejani. Durante os quase quatro anos em que estive na TV, cobrí suas atividades... Mas toda a imprensa de Juiz de Fora fez o mesmo... No meu caso, eu fazia isso dentro de um programa que levava o meu nome... No dia da prisão de Bejani, acompanhei toda a movimentação da polícia e dos populares... Inclusive cobrí sua saída de casa, preso e depois fiquei na sede da polícia federal até que Bejani fosse ouvido e depois levado para Belo Horizonte já no final do dia... Por diversas vezes, cheguei a ouvir o povo gritando lá fora que eu era um sacana. Um sujeito chegou a gritar que eu havia dado voz ao Bejani e que agora estava jogando terra sobre sua sepultura... Um outro político da cidade, que apareceu por lá, disse que eu tinha comido no mesmo prato que o Bejani e que tinha mesmo dado voz a ele com o programa e colaborado para que suas falcatruas fossem encobertas... Lembro-me também que assim que me preparava para deixar a sede da PF, conduzindo meu carro de reportagem, alguns populares chegaram a chutar os pneus e a dizer que agora eu tinha que arrumar outra teta pra mamar... Fiquei imensamente triste naquele dia... Acreditem... Não lucrei um centavo sequer com a administração Bejani... Sou um homem simples... Tenho 51 anos de idade, não tenho casa própria, paguei meu carro, um Gol 1000 modelo 1997 com muitas dificuldades e não tenho sequer dinheiro no banco... Bejani nunca foi meu amigo... Também nunca foi meu inimigo... Nunca me envolveu nos ''crimes'' a ele imputados...
PERGUNTA - Mas sua imagem ficou colada à dele por causa do programa...
LÉO DE OLIVEIRA - Com certeza! Antes do escândalo que envolveu Bejani e mais um batalhão de colaboradores dele, muitos que estavam à sua volta faziam chacotas a respeito das coberturas que eu fazia de sua administração, dizendo que eu era o repórter da TV Bejani. Aqui inclusive me incomodava. Mas aos poucos, as pessoas foram entendendo e vendo que eu não tinha envolvimento em nada e aí a comunidade acabou não me condenando... Pensei que minha carreira teria fim com o fim da ''Era Bejani''... Um dia entrei em um bar no Alto dos Passos e um senhor me reconheceu, se aproximou e foi logo dizendo: ''Você é o cara da Televisão, não é?'' -Sim! Respondí. ''Olha rapaz, sou seu fã desde os tempos do rádio e eu fiquei particularmente preocupado, achando que você tinha envolvimento com Bejani naquelas roubalheiras todas... Talvez um carro em seu nome... Ou mesmo dinheiro do ''cara'' escondido em sua casa... Mas a Polícia Federal identificou todo o mundo que estava envolvido, prendeu uma pá de gente, mas você se manteve íntegro, seu nome não estava lá...'' - Fiquei em silêncio por alguns segundos e depois disse a ele que uma coisa que sempre fiz na vida, na minha carreira, em tudo, foi manter minha dignidade... Isso vou fazer sempre... Se quisesse, estaria muito bem de vida, afinal, o jornalismo, o rádio, quando usado de forma desonesta, pode deixar muito bem um comunicador... Mas para mim, estar bem, é estar limpo e de consciência tranquila a respeito de meus atos... Mas este é um assunto que não gostaria mais de lembrar... Sempre me recusei a tocar nesse caso... Você me instigou... Com certeza que será um ótimo comunicador...
PERGUNTA - Então vamos para outro assunto, que acho de suma importância: A Solar Am desmontou o seu jornalismo e a Rádio Panorama Fm que havia chegado com força total, hoje já não mais existe... Tem um monte de radialistas bons nesta cidade desempregados... O Rádio está acabando? A televisão está fazendo com o rádio o que fez lá nos idos dos anos 50 quando chegou ao País, transformando milhares ou milhões de ouvintes em telespectadores de tevê?
LÉO DE OLIVEIRA - O que aconteceu com a Solar e com a Panorama, pra mim, são fatos isolados... O rádio não vai acabar nunca... Os radialistas nunca deixarão de existir... Tem muito radialista em Juiz de Fora e no País, desempregados, mas muitos estão trabalhando... Prova de que o rádio não está acabando, que o radiojornalismo é forte, é que hoje, a Globo JF é a maior audiência da cidade e região e a Globo Brasil, assim como a CBN (que são rádios que tocam notícia), estão cada vez mais fortes... O Rádio mudou muito, mas não acabou... Ele está vivendo uma fase meio estraaha, mas isso passa... Acho que já está passando...
PERGUNTA - Léo de Oliveira, eu quero te agradecer pela entrevista, deixando aqui para você um grande abraço de meus colegas de faculdade e deixou o espaço para que você se expresse da forma que quiser. Obrigado.
LÉO DE OLIVEIRA - Muito obrigado por terem se lembrado de mim... Sou um sujeito simples e confiante que a Comunicação é quem comando hoje o nosso País e o mundo... Estamos vigilantes... Atentos... Toda essa corrupção instalada hoje no País, vai se desinstalando, graças à imprensa, que age feito cão de guarda... Estamos de olho! Todo o mundo sabe que a imprensa é séria e resolve... Ela denuncia... Ela faz e
acontece... Mas eu não poderia deixar de te dizer, que os futuros comunicadores, homens de rádio, tv ou jornal, devem prezar muito a família , os colegas de trabalho, seus diretores e a comunidade... O respeito é tudo para quem quer entrar para o exército dos comunicadores... Em qualquer área, tudo isso é muito importante... Sem menosprezar nenhuma profissão, todas são essenciais, mas a comunicação ela é muito vasta e você lida com a massa, com milhares, com milhões de pessoas e aquela máxima de que o jornalista, o radialista, forma e informa a opinião pública, é algo muito sério... Nossa profissão chega a todas as profissões e pessoas... Aí a nossa grande responsabilidade... Mas vamos caminhar e crescer dentro do que fazemos, que no final da história, a felicidde sempre vem... Obriado...